26 de jul. de 2010

O Menino das Meias Vermelhas

Carlos Heitor Cony


Todos os dias ele ia para o colégio com meias vermelhas. Era um garoto triste, procurava estudar muito mas na hora do recreio ficava afastado dos colegas, como se estivesse procurando alguma coisa.

Os outros guris zombavam dele, implicavam com as meias vermelhas que ele usava. Um dia, perguntaram porque o menino das meias vermelhas só usava meias vermelhas.

Ele contou com simplicidade: "No ano passado, quando fiz aniversário, minha mãe me levou ao circo. Botou em mim essas meias vermelhas. Eu reclamei, comecei a chorar, disse que todo mundo ia zombar de mim por causa das meias vermelhas. Mas ela disse que se me perdesse, bastaria olhar para o chão e quando visse um menino de meias vermelhas saberia que o filho era dela."

Os garotos retrucaram: "Você não está num circo! Por que não tira essas meias vermelhas e joga fora?" Mas o menino das meias vermelhas explicou: "É que a minha mãe abandonou a nossa casa e foi embora. Por isso eu continuo usando essas meias vermelhas. Quando ela passar por mim vai me encontrar e me levará com ela."

13 de jul. de 2010

VOLTE-SE PARA OUTRA JANELA...linda reflexão!!

A menina, debruçada na janela, trazia nos olhos, grossas lágrimas e o peito oprimido pelo sentimento de dor, causado pela morte do seu cãozinho de estimação.


Com pesar, observava, atenta, o jardineiro enterrando o corpo do amigo de tantas brincadeiras. A cada pá de terra jogada sobre o animal, sentia como se sua felicidade estivesse sendo soterrada também. O avô, que observava a neta, aproximou-se, envolveu-a num abraço e lhe falou com serenidade:

- Triste a cena, não é verdade?

A netinha ficou ainda mais triste, e as lágrimas rolaram em abundância, pela suas faces pálidas.

No entanto, o avô que, sinceramente, desejava confortá-la, chamou-lhe à atenção para outra realidade.

Tomou-a pela mão e a conduziu até uma janela oposta, localizada na ampla sala. Abriu as cortinas e permitiu que ela visse o imenso jardim florido à sua frente, e lhe perguntou carinhosamente:

- Está vendo aquele pé de rosas amarelas, naquele canteiro? Lembra-se que você me ajudou a plantá-lo? Foi num dia de sol como o de hoje, que nós dois o plantamos. Era apenas um pequeno galho cheio de espinhos, e hoje...Veja como está lindo, carregado de flores perfumadas, e botões, com promessa de novas rosas...

A menina enxugou as lágrimas e deu um largo sorriso, mostrando as abelhas que pousavam sobre as flores, e as borboletas que faziam festa entre uma e outra, das tantas rosas de variadas cores, que enfeitavam o jardim.

O avô, satisfeito por tê-la ajudado a superar o momento de dor, falou-lhe com afeto:

- Veja, minha filha, a vida nos oferece sempre várias janelas. Quando a paisagem de uma delas nos causa tristeza, sem que possamos alterar-lhe o quadro, voltemo-nos para outra, e certamente nos depararemos com uma paisagem diferente.



Para qual janela você está olhando?